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A Violência no Futebol: causas e soluções

Fonte: Blog Conexão Gontijo

Ultimamente não são raras as cenas violentas em jogos de futebol como carrinhos, cotoveladas e pisões. O que é raro, no entanto, é haver alguma punição efetiva para os jogadores que praticam tais agressões em seus colegas de trabalho. De 1994 a 2003 a média de faltas em jogos do Brasileirão subiu 32.5%, de 40 para 53, ao mesmo tempo em que diminuem as jogadas individuais e chances de gol, já que os atacantes são parados à força.
Isso significa, portanto, que a violência em campo diminui a “beleza” do jogo, uma vez que dificulta que os atacantes desenvolvam suas habilidades em grandes jogadas. Além disso, é preciso levar em conta que tais faltas muitas vezes causam lesões nos jogadores, que acabam ficando afastados de sua atividade profissional por longos períodos de tempo, prejudicando seu condicionamento físico, sua carreira e o desempenho do time. Isso sem contar com as consequências financeiras, devido a contratos de marketing e publicidade.

A mídia, em geral, busca explicações para o uso da violência em campo em supostos problemas psicológicos do jogador em questão (e quase invariavelmente sem consultar psicólogos esportivos). Mas será que todos os jogadores que fazem faltas violentas o fazem por terem problemas psicológicos individuais? Para alguns pesquisadores do fenômeno, como Volkamer, a violência deve ser vista no contexto da sociedade, uma vez que as equipes são um reflexo dela, são mini-sociedades.
Há vários fatores que podem influenciar para que uma determinada partida seja mais violenta. Uma pesquisa foi realizada com psicólogos esportivos que trabalhavam em times das primeiras divisões estaduais do Sul do Brasil em 2004, para saber quais os principais fatores que geram atitudes agressivas em campo. Entre os 17 fatores listados pelo pesquisador, os psicólogos deveriam enumerar, por ordem de importância, os 5 principais.
O resultado foi, em ordem decrescente de relevância: a importância da partida; as provocações dos adversários; o placar; o comportamento do técnico e o nível de rendimento da equipe. O que se percebe, portanto, é que para esses psicólogos esportivos os fatores mais influentes no aumento da violência em campo são externos aos jogadores, ao contrário do que se costuma utilizar como justificativa para as atitudes violentas. Isso mostra que para entender esse fenômeno e buscar soluções adequadas é preciso levar em consideração tanto fatores individuais quanto sociais.

Fonte: Troca de Passes SporTV

Um exemplo foi visto no último fim de semana, no clássico entre Cruzeiro e Atlético Mineiro, pelo Campeonato Mineiro, em um jogo bastante tenso e violento. Foram 12 cartões amarelos e 1 vermelho. Houve provocações entre jogadores e torcedores, declarações polêmicas nos dias que antecederam o jogo e muitas faltas. Um dos jornais que fez a cobertura do clássico destacou que as duas equipes esqueceram de jogar futebol no início da partida, tanto que o primeiro lance de risco ocorreu somente aos 15 minutos. Roger, principal jogador do Cruzeiro, deu uma declaração justificando a violência: “Tem que provocar, tem que dar uma chegadinha forte ali, trazer o time pra dentro do jogo. Todos esses ingredientes fazem parte de um grande clássico”. E foi ele o protagonista da falta mais violenta do jogo: uma cotovelada na nuca de um jogador do CAM que se aproximava da grande área do Cruzeiro. Falta que aconteceu no início do segundo tempo, quando o Cruzeiro perdia de 2×0 e que foi punida apenas com um cartão amarelo.

Diante desse cenário, é preciso buscar soluções para diminuiros índices de faltas, cartões e lesões no futebol. Para isso, é importante que os treinadores e comissões técnicas estejam preparados para lidar com o tema, e o profissional habilitado para auxiliar nessa preparação é o psicólogo do esporte. Em relação ao fator importância da partida, por exemplo, o psicólogo pode ajudar o treinador a elaborar uma preleção clara e motivadora, isenta de raiva e da idéia de “vencer a qualquer custo”. O treinamento psicológico pode diminuir a influência das provocações dos adversários, uma vez que capacita o atleta a controlar o estresse e priorizar as metas estabelecidas. Esse treinamento também pode ajudar a equipe a manter a calma diante de adversidades, como a queda do rendimento da equipe.

Fonte: UOL Esporte

Quando a violência vem da frustração de estar atrás no placar, o psicólogo pode avaliar, junto com o técnico, a condição de cada jogador e do grupo, para assim estabelecer metas possíveis. É importante que o atleta saiba o que reduz seu desempenho e o que fazer para melhorar, evitando assim a frustração. Em relação ao comportamento do técnico, é de conhecimento geral que ele influencia muito os atletas, especialmente os mais jovens. O que significa que o atleta pode agredir seu adversário, se achar que seu treinador aprova essa atitude. O psicólogo poderá auxiliar o técnico a perceber seu comportamento e controlá-lo.

Além dessas ações, é fundamental que haja uma intervenção externa das entidades responsáveis pela organização e fiscalização do futebol. Barroso et al sugerem que sejam criadas regras que levem os atletas a atuar como se estivessem sob a ameaça de levar um segundo cartão amarelo e, portanto, serem expulsos do jogo. Além disso, destacam a importância de categorizar as faltas e criar uma legislação que afaste um jogador que cometer um determinado número de faltas, caso em que ele deveria ser substituído por um jogador reserva. São idéias definitivamente interessantes e dignas de avaliação. Fundamental mesmo é o assunto não fique só nas mesas redondas, ou veremos muitas carreiras promissoras interrompidas por lesões.

Leia mais:

Fatores que geram violência no futebol: uma análise psicológica na região Sul do Brasil – Barroso et al

A violência no futebol: revisão sócio-psicológica – Barroso et al

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